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O movimento faz parte do tratamento: porque voltar a mexer-se é essencial para recuperar da dor.

  • prconcept
  • 21 de jul.
  • 5 min de leitura

Muitas pessoas procuram aliviar a dor. Mas a verdadeira recuperação começa quando o corpo volta a recuperar.


Quando sentimos dor, a primeira reação é proteger o corpo.

E faz sentido.


A dor é um sinal de alerta. É a forma que o organismo encontra para nos dizer que existe algo que precisa de atenção. Por isso, numa fase inicial, reduzir determinados movimentos ou adaptar a atividade pode ser uma resposta adequada.


O problema surge quando essa proteção se prolonga durante demasiado tempo.

A pessoa começa a evitar movimentos que antes fazia naturalmente. Deixa de pegar em pesos, reduz caminhadas, evita determinadas posições ou passa a pensar duas vezes antes de realizar uma tarefa simples.


Com o tempo, não é apenas a dor que condiciona o movimento.

O próprio corpo começa a perder capacidade.

Os músculos podem perder força, as articulações podem tornar-se menos móveis e determinados movimentos deixam de ser realizados com a mesma confiança e facilidade.


É assim que muitas pessoas entram num ciclo difícil de interromper:


A dor leva a menos movimento.

Menos movimento leva a menor capacidade física.

E quando o corpo volta a ser exigido, o desconforto pode regressar.




Aliviar a dor não é o mesmo que recuperar

Esta é uma das diferenças mais importantes quando falamos de recuperação.

Reduzir a dor é importante. Permite que a pessoa durma melhor, se movimente com mais facilidade e retome algumas atividades.

Mas a recuperação vai além do sintoma.


Recuperar significa devolver ao corpo as capacidades que foram perdidas ou reduzidas: força, mobilidade, controlo, equilíbrio e confiança no movimento.


Imagine uma pessoa com dor lombar que, durante meses, evita baixar-se, carregar objetos ou fazer determinados movimentos porque sente receio.

Mesmo que a dor melhore, pode existir uma perda progressiva da capacidade de realizar essas tarefas. O corpo adapta-se sempre.

A questão é perceber se essa adaptação está a aproximar a pessoa da recuperação ou a mantê-la limitada.

É neste ponto que o movimento deixa de ser apenas uma atividade física e passa a fazer parte do processo terapêutico.



exercício terapêutico



O corpo precisa do estímulo certo para recuperar

Existe uma ideia muito comum: se existe dor, então todo o movimento deve ser evitado.


Mas a realidade é mais complexa.


Em muitas situações, o corpo recupera precisamente através de uma exposição progressiva ao movimento adequado.

Isto não significa ignorar a dor ou forçar o organismo, sgnifica compreender que músculos, tendões, articulações e sistema nervoso precisam de estímulos progressivos para recuperar capacidade.



O movimento terapêutico não é simplesmente "fazer exercício".



Não se trata de treinar mais, fazer mais repetições ou ultrapassar limites.

Trata-se de escolher o movimento adequado, com a intensidade adequada e no momento adequado.


Uma pessoa a recuperar de uma cirurgia não terá as mesmas necessidades de alguém com uma dor muscular persistente, ou uma pessoa com uma tendinite não deve simplesmente repetir movimentos que aumentam a irritação do tecido.

Uma pessoa que passou meses com dor pode precisar primeiro de recuperar confiança antes de aumentar a exigência física.

A recuperação não acontece através de uma fórmula igual para todos, acontece através de um processo adaptado à pessoa.



Porque é que algumas dores persistem mesmo depois de vários tratamentos?

Esta é uma questão que muitas pessoas colocam.

"Já fiz tratamentos. Porque continuo com limitações?"


A resposta nem sempre está apenas na zona onde dói, porque o corpo funciona como um sistema.

Uma alteração num local pode modificar a forma como nos movimentamos, criamos compensações e sobrecarregamos outras estruturas.

Uma dor no joelho pode alterar a forma de caminhar, uma dor lombar pode modificar a postura e a utilização dos músculos, uma limitação no ombro pode mudar a forma como usamos todo o membro superior.

Por isso, antes de definir uma estratégia de recuperação, é essencial compreender a pessoa como um todo.


A avaliação do movimento, da postura, da mobilidade e das capacidades físicas permite perceber quais são os fatores que estão a manter aquela limitação.

No PrConcept, esta visão está presente através da Avaliação Integrativa, onde procuramos compreender não apenas onde existe dor, mas também porque razão o corpo chegou a esse ponto e quais os caminhos mais adequados para recuperar.



Nem todo o movimento é recuperação

Esta é talvez a ideia mais importante deste artigo.


Mexer mais não significa necessariamente recuperar melhor.



Um movimento pode ser benéfico para uma pessoa e inadequado para outra.

A diferença está na avaliação e na progressão.

O objetivo não é desafiar o corpo constantemente, é criar as condições para que ele volte a responder melhor.

Por vezes, o primeiro passo é reduzir desconforto e melhorar a qualidade do movimento.

Noutras situações, é necessário recuperar força e estabilidade.

Em alguns casos, é importante trabalhar equilíbrio, coordenação e consciência corporal.

A recuperação acontece quando encontramos o estímulo que o corpo consegue utilizar para evoluir.



Uma abordagem integrada para recuperar o movimento

A recuperação raramente depende de uma única ferramenta.

Cada pessoa chega com uma história diferente, uma condição diferente e necessidades diferentes.

Por isso, diferentes abordagens podem complementar-se ao longo do processo.

Em algumas situações, é necessário começar por melhorar a forma como a pessoa se sente no próprio corpo, reduzindo tensão, desconforto e limitações que dificultam o movimento.

A Acupuntura e Medicina Tradicional Chinesa pode ser integrada neste processo como uma abordagem complementar na gestão da dor e promoção do equilíbrio do organismo.

A Massagem Terapêutica pode também ter um papel importante quando existe tensão muscular, rigidez ou necessidade de melhorar a relação da pessoa com o próprio corpo.


Mas recuperar não termina quando a dor diminui.

É necessário voltar a construir capacidade.


É aqui que o Exercício Terapêutico assume um papel fundamental, através de movimentos adaptados que procuram recuperar força, controlo e autonomia.


O Pilates Clínico é uma das ferramentas utilizadas neste caminho, permitindo trabalhar controlo corporal, estabilidade e movimento consciente de acordo com as necessidades individuais.


O Tai Chi representa uma outra forma de relação com o movimento, através de movimentos lentos, coordenação, equilíbrio e consciência corporal, sendo uma prática particularmente interessante para quem procura melhorar mobilidade e qualidade de movimento.


Estas abordagens não substituem umas às outras.

Fazem parte de um processo onde o objetivo principal é devolver ao corpo aquilo que perdeu.



Recuperar é voltar a confiar no corpo

Muitas pessoas procuram uma solução porque deixaram de fazer coisas simples.

Caminhar sem pensar na dor, subir escadas sem receio, brincar com os filhos, voltar ao trabalho ou ao desporto, sentir que o corpo acompanha novamente a vida.


A recuperação não acontece apenas quando a dor desaparece.

Acontece quando a pessoa recupera a liberdade de utilizar o próprio corpo.


O movimento não é o inimigo da dor.


Quando é avaliado, adaptado e orientado, pode ser uma das ferramentas mais importantes para recuperar capacidade e qualidade de vida.

Porque tratar a dor é importante.

Mas ajudar o corpo a recuperar a sua função é aquilo que permite voltar a viver com mais confiança.


 
 
 

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