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Outono e constipações: como preparar o corpo segundo a Medicina Tradicional Chinesa

prconcept
1 de set.
5 min de leitura

Atualizado: 28 de set.


Não podemos escolher a estação. Podemos escolher como chegamos a ela.

Todos os anos, quando o Outono se aproxima, surgem os mesmos sinais: espirros, nariz congestionado, garganta seca, tosse, primeiras constipações e, para muitas pessoas, uma sensação de menor energia.


É fácil assumir que fazem simplesmente parte da estação.


Mas será que temos de esperar pelos primeiros sinais para começar a prestar atenção?


Não existe uma planta, uma infusão ou uma prática capaz de garantir que não teremos uma alergia ou uma constipação.



Mas será que temos de esperar pelos primeiros sinais para começar a prestar atenção?


Não existe uma planta, um chá ou uma prática de Tai Chi capaz de garantir que uma pessoa não terá uma alergia ou uma constipação. Seria irresponsável afirmar o contrário.

Mas existe uma questão muito mais interessante:

Como estamos a viver a transição para o Outono?


Na Medicina Tradicional Chinesa, a relação entre o organismo e o ambiente é uma parte central da observação. As estações não são apenas datas no calendário. São mudanças de temperatura, humidade, luminosidade, alimentação, atividade e ritmo.

E o corpo adapta-se.





O Outono na Medicina Tradicional Chinesa

Na tradição médica chinesa, o Outono está associado ao elemento Metal e ao sistema do Pulmão (Fei).

O Pulmão ocupa um lugar particular na teoria tradicional: está relacionado com a respiração, com a relação entre o interior e o exterior e com a proteção da superfície do corpo através do conceito de Wei Qi, frequentemente traduzido como Qi defensivo.

É importante não confundir estes conceitos tradicionais com o sistema imunitário descrito pela medicina moderna. São modelos diferentes, desenvolvidos em contextos diferentes.

Ainda assim, a observação tradicional é interessante: quando o ambiente muda, a forma como cuidamos do corpo também pode mudar.

O Outono é associado à secura e a uma tendência para a contração e o recolhimento.

Depois da expansão do Verão, a natureza começa a conservar.

Talvez nós também precisemos de começar a fazê-lo.



A transição também se faz nos hábitos

O problema é chegarmos ao Outono a fazer exatamente aquilo que fazíamos no Verão.

Dormir à mesma hora, comer da mesma forma, manter o mesmo ritmo, exigir o mesmo nível de atividade e passar do calor para temperaturas mais baixas sem qualquer transição.

O corpo adapta-se, mas nós podemos facilitar ou dificultar essa adaptação através dos nossos hábitos.

Não precisamos de mudar tudo, precisamos de começar a ajustar.





Movimento, descanso e alimentação

Preparar o corpo para uma nova estação não significa fazer mais.

O movimento pode tornar-se mais consciente e regular.

Caminhar, mobilizar o corpo, praticar Tai Chi ou simplesmente interromper longos períodos sentado já são formas de preservar mobilidade, circulação e confiança no movimento.


O descanso também merece atenção. Dormir pouco, manter ritmos irregulares e atravessar semanas de stress contínuo pode tornar qualquer mudança de estação mais difícil.


À mesa, o Outono convida naturalmente a preparações mais quentes e cozinhadas: sopas, caldos, cereais, legumes, fruta da época e refeições simples.

Na dietética chinesa, a forma de preparar os alimentos é tão importante como os próprios ingredientes.

E é aqui que as plantas voltam a entrar no quotidiano.








O ritual das plantas no Outono

Antes de existirem cápsulas, suplementos e produtos concentrados, plantas, raízes, frutos, flores e cascas já faziam parte dos gestos quotidianos de cuidado.

Não como solução para tudo.

Mas como parte de uma relação mais próxima com a alimentação, as estações e o próprio corpo.


Foi desta ideia que nasceu o Chadō — O Ritual das Plantas.

A coleção de Outono reúne ingredientes inspirados na dietética e na tradição fitoterápica chinesas, apresentados de forma simples para poderem ser conhecidos, preparados e utilizados em casa.


Gengibre seco

Aromático, intenso e aquecedor.

Na tradição chinesa, o gengibre seco aparece em preparações de natureza quente e é particularmente associado a momentos em que existe sensação de frio.


Da Zao — jujuba vermelha

Um fruto naturalmente doce, muito presente na alimentação e em diferentes preparações tradicionais chinesas.

É frequentemente combinado com outros ingredientes para suavizar e harmonizar as preparações.


Chen Pi — casca de tangerina seca

A casca de tangerina envelhecida é um ingrediente clássico da tradição chinesa.

O seu aroma cítrico e ligeiramente amargo torna-a particularmente interessante em infusões e decocções, sobretudo quando procuramos preparações mais aromáticas e digestivas.


Ju Hua — crisântemo

Uma flor delicada, de sabor leve e ligeiramente floral, utilizada tradicionalmente em infusões chinesas.

Pode ser usada isoladamente ou combinada com outros ingredientes em preparações mais suaves.


Tremella

Um cogumelo utilizado há séculos na cozinha chinesa, particularmente valorizado pela sua textura delicada.

Na tradição alimentar chinesa, surge frequentemente em preparações associadas aos períodos de maior secura.



Nem todas as plantas se preparam da mesma forma

Uma das coisas mais interessantes neste universo é perceber que não existe apenas “fazer chá”.

Alguns ingredientes são adequados a uma infusão simples.

Outros beneficiam de uma preparação mais prolongada, como a decocção.

Raízes, cascas, frutos e cogumelos comportam-se de formas diferentes quando entram em contacto com água e calor.

Conhecer estas diferenças muda completamente a experiência.

Preparar deixa de ser automático.

Passa a ser ritual.







Pequenos rituais para diferentes momentos do Outono

Na coleção Chadō — Outono, exploramos preparações inspiradas em situações comuns desta estação.


Por exemplo:

Primeiros sinais de frio e desconfortoPreparações quentes e aromáticas com ingredientes como gengibre e Da Zao.


Sensação de secura e tosse secaCombinações suaves que podem incluir Tremella e pera, ingredientes tradicionalmente utilizados em preparações alimentares associadas à secura.


Expetoração e sensação de congestãoPreparações aromáticas com Chen Pi e gengibre, utilizadas tradicionalmente em contextos semelhantes.


O objetivo não é transformar uma infusão num medicamento.

É recuperar conhecimento simples sobre como preparar e utilizar as plantas no quotidiano, respeitando sempre a situação de cada pessoa.


Caixa Chadō — Outono

A coleção está também disponível numa caixa sazonal que reúne:

  • Gengibre seco

  • Da Zao

  • Chen Pi

  • Ju Hua

  • Tremella

  • copo cerâmico

  • guia explicativo com diferentes preparações e rituais de Outono




Conheça o Chadō ao vivo

Os workshops Chadō são momentos de prática e aprendizagem.

Experimentamos os ingredientes, diferentes métodos de preparação e pequenas combinações que podem ser reproduzidas em casa.

Mais do que aprender receitas, o objetivo é voltar a compreender aquilo que colocamos na chávena.



Talvez esta seja a verdadeira preparação

Não podemos controlar a temperatura.

Não podemos garantir que não teremos uma constipação ou uma alergia.

Mas podemos chegar ao Outono com mais atenção ao sono, ao movimento, à alimentação e aos pequenos gestos que repetimos diariamente.


Podemos voltar a observar.

Podemos voltar a preparar.

Podemos voltar a usar as plantas com mais conhecimento e menos automatismo.


Não podemos escolher a estação. Podemos escolher como chegamos a ela.





Nota: este artigo apresenta princípios e práticas da Medicina Tradicional Chinesa no seu contexto tradicional. Não pretende substituir diagnóstico, tratamento ou aconselhamento médico. A utilização de plantas deve ser individualizada, tendo em conta medicamentos, alergias, gravidez, condições de saúde e outras possíveis contraindicações.

 
 
 

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